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Primeira noite do 15º Goiânia Noise - Fiction
Escrito por Administrador    Sex, 27 de Novembro de 2009 12:00    PDF Imprimir E-mail

Goiânia Noise Festival
Quarta-feira – 25/11/2009
Fiction


 

No primeiro dia de shows do Goiânia Noise Festival, após ser barrado (eu mais uma galera) no Teatro Madre Esperança Garrido por falta de ingressos, pois todos já tinham sido distribuídos, fui conferir os shows marcados para acontecer no Club Fiction.

Quando soube da programação do Noise para este ano não pude esconder, a princípio, certa decepção. O espaço do Centro Cultural Oscar Niemeyer, local onde foram realizadas as duas últimas edições do festival, sempre me pareceu perfeito para a realização de um festival nos moldes do Noise. Trata-se de um local que oferece toda a infra-estrutura necessária de acesso, estacionamento, alimentação e, principalmente, de espaço propriamente dito para comportar todo o público disposto a conferir o festival. Como disse no parágrafo anterior, a minha primeira tentativa de conferir um dos shows mais esperados do festival foi frustrada justamente por isso, o que certamente não ocorreria no “Niemeyer”. O Palácio de Música Belkiss Spenziere é um local de alto nível para realização de eventos musicais, além de se caracterizar, certamente, como o melhor e maior local onde várias das bandas convidadas, talvez a maioria, já tocaram. Ouvi muitas histórias a respeito da opção da Organização do festival por não realizá-lo no “Niemeyer” este ano, todas “de corredor”, e como não tive a oportunidade de conversar pessoalmente com alguém da organização para elaborar alguma tese que poderia escrever, prefiro não divagar a respeito desta escolha. Mas que fique claro: fui barrado na primeira...

Nunca tinha ido antes ao Club Fiction, apesar dos vários convites que tive de um amigo que discoteca lá às quartas-feiras. A impressão foi boa. O espaço estava bem arrumado para o evento, com um palco armado no andar de baixo, logo à frente das “pick-ups” do clube, para acomodar as bandas que se apresentariam, e o andar de cima, a área dos fumantes, separado para a apresentação de alguns DJ’s “estrelas” convidados pela Produção, local que fui conferir unicamente por ser fumante. Um bom público compareceu ao local, a casa ficou cheia, a galera animada; senti vontade de ter conhecido o clube antes, mas me lembrei do evento em questão, e imaginei que normalmente o local não deve ser tão legal assim. Não gosto muito de boates, exatamente por causa do tipo de música que normalmente tocam lá, mas levando-se em conta o “set list” que os DJ’s do andar de baixo mandaram ver nos intervalos, creio que vale a pena conferir num outro dia. Veremos mais tarde.

Vamos aos shows:

Primeiramente vamos falar sobre o som. Não diria que estava péssimo, mas estava longe de ser bom. A equipe técnica de áudio, creio eu, deve ter tido dificuldades para adequar os amplificadores e microfones aos equipamentos do clube. A freqüência média tomava conta do espectro sonoro; parecia que tinha um imenso cornetão no palco. Isso atrapalhou um pouco a apresentação das bandas, principalmente da banda da casa (Motherfish), que a meu ver foi a única banda a se apresentar com a formação completa.



Motherfish (GO)

Banda local, antiga, mas com nova formação, composta por quatro membros: 2 guitarristas, sendo um deles o vocalista, 1 baixista e 1 baterista. Foi a única banda que se apresentou com um baixista no elenco, o que por si só a classifica como o melhor show da noite. Notáveis raízes no punk rock. Letras em inglês. Rock básico, cru, corretamente ritmado, conciso, sem maiores pretensões, o que a coloca como um ótimo representante do gênero. Uma banda que toca com alegria, passando a impressão de que está lá mais pela diversão do que por qualquer outra razão. Por conta disso fez a galera responder bem ao show, apesar desta estar meio apática a princípio. Tocaram um set de cerca de 6 músicas, todas no mesmo estilo e velocidade, fazendo um show com duração de pouco mais de 30 minutos.

Não sei se por conta da regulagem do som ou dos próprios instrumentos, tudo ficava meio confuso quando o vocalista se dispunha a fazer um solo; o som de sua guitarra ficava escondido. A mesma coisa aconteceu durante toda a apresentação com a voz. Já suas bases foram bem ouvidas. Os solos da outra guitarra eram mais audíveis.

Um bom show.

The Soundscapes (SP / USA)

O livrinho do festival diz exatamente isso – SP/USA. USA? Não seria EUA?

A “banda” se apresentou com somente 2 integrantes: 1 guitarrista / vocalista e um baterista. É isso mesmo? Ou teve gente que faltou o compromisso? O vocalista, apesar de cantar todas as músicas em inglês, se comunicava com o público num bom português.  Então, o baterista é americano? Muita coisa a ser explicada...

A banda fez um som pretensioso, ao contrário da banda nativa já comentada. Um rock com uma linha melódica constante, pesado, mas não muito rápido, e com muitas variações rítmicas. Como havia somente 2 instrumentos, um sintetizador eletrônico foi utilizado pela banda para “preencher” os espaços vazios, o que cumpriria bem o papel não fosse o efeito “corneta” já comentado.

Vê-se que o baterista (ou seria “drummer”?)  tem um grande potencial. Bateu forte. Tem bastante técnica. Foi ritmado. Variou bastante nas passagens, o que na verdade é o que mais contribui para a pretensiosidade do som  da banda. Mas faltou espontaneidade. Faltou alegria em fazer “um som”. Só se via a preocupação em fazer a passagem certa depois da outra, a testa franzida, o “bico”, o ajuste necessário na bateria depois de cada música. A impressão que fica é que o cara estava “travado”, não no sentido de não conseguir tocar, mas no sentido de não conseguir curtir. Mais que virtuosidade, rock n’ roll é sentimento. Se o rapaz se soltasse mais, o resultado seria outro. Vai ver também esta trava toda pode ter outras causas, vai saber! Mas, se tivesse um baixo no elenco...

O guitarrista fez um bom trabalho, com um som um pouco apagado por conta do efeito “corneta” aplicado ao sintetizador. Base bem feita, de harmonia constante. Seu vocal é que deixou um pouco a desejar, mas cumpriu seu papel.

Enfim, uma boa banda, que tem um grande potencial que pode ser visto por qualquer pessoa, mas que não fez um bom show. Ah, como a linha de um baixo faz falta...

Vamoz (PE)

Uma banda pernambucana que não é “maculelê neohippie”, e sim “hardcore”, já é um ótimo começo. A banda se apresentou com 3 integrantes, 2 guitarristas que também dividiam os vocais, e 1 baterista. Mais uma vez, pergunto: Alguém faltou ao compromisso?

Os integrantes da banda entraram botando panca, mandando a Produção desligar o estroboscópio do clube alegando que “isso não é coisa de rock”. Se rock n’ roll é atitude, esses caras são ótimos representantes.

Estrobo desligado, rola o som. Um rock rápido, enérgico, alto, mas, mais uma vez, sem baixo. E como são 2 guitarras gritando alto, e 1 batera tocando forte, o efeito “corneta” explode à sua máxima potência. O som é bom, puro rock n’ roll, tocado e cantado com vontade, em inglês sem “sotaque”, mas muito prejudicado pela freqüência média que tomava conta do espaço. Senti-me um cachorro no meio de uma orquestra de gaitas. O ouvido doía.


Fiquei com muita vontade de ver esta banda de novo. Mas, com um baixo no elenco, por favor! Não fosse o som desregulado e a ausência de uma linha de baixo, certamente esta banda ganharia o melhor show da noite.


Por: Marcus Marques
Fotos: Heloá Fernandes





 

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Última atualização ( Sex, 27 de Novembro de 2009 12:10 )