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A primeira ressonância da turnê
Escrito por Administrador    Seg, 20 de Abril de 2009 21:54    PDF Imprimir E-mail

É fato que a Morficaos Tour começa, teoricamente, apenas dia 24 de abril, no Festival Rock Solidário. Essa é a data para o pontapé inicial da turnê que o Ressonância Mórfica fará em 2009. Todavia, tanto a banda quanto o público que esteve presente no Esconderijo Cervejaria na última Quarta-feira, dia 15, pôde mensurar o grau de violência musical que será destilado pelo país, nos próximos meses.

O evento, que estava marcado para as 22h, teve um grande atraso e começou por volta da meia-noite, quando o Warlikke entrou em ação. Formada em meados de 2003 e oriunda de Aparecida de Goiânia, a banda toca um Death Metal calcado entre a vertente do estilo encabeçada pelo Krisiun, o Brutal Death Metal, e certas passagens a lá Cannibal Corpse. Além disso, conta com dois vocalistas, Roberto e Hugo, que se alternam e apresentam características distintas.

Em um set-list que mesclou composições próprias e alguns covers, a banda mostrou certa evolução e também um bom entrosamento. Começaram o show com a música “Raça Maldita”, canção própria e em Português. Destaque para o cover de “Wretched Spawn”, do Cannibal Corpse, música essa presente no ótimo álbum homônimo, de 2004, um dos melhores discos de Death Metal dos anos 2000. Interessante também, ficou a rápida versão para Arise, do Sepultura.

Em seguida, era hora do Ressonância Mórfica. Um dos propósitos do show foi apresentar o novo baterista, Robson Mariano, novo morador da capital goiana e velho conhecido da banda. Robson, que toca no Mortificy, de Manaus, largou tudo por lá, pelo menos por enquanto, e veio para Goiânia integrar o Ressonância e sair em turnê. Além de ter caído como um luva, adicionou ainda mais peso e raça à cozinha da banda. Como toca esse manauara! Além dele, Marcos Campos (vocal), Luiz Souza (guitarra) e Bruno Lobo (baixo) são os demais lunáticos dos campos mórficos.

Para começar o show, uma breve intro e o primeiro petardo, “Penumbra”.

Na seqüência, “Cacofagia”, música que estará presente no próximo álbum da banda e que mostra um pouco de como será esse trabalho. Depois vieram “Reação Irracional de Destrutividade” e “Pasquim”, extremamente rápidas e pesadas ao vivo. Outra canção nova foi “Mosaico da Extinção”. Particularmente, essa me chama cada vez mais a atenção. O início te faz pensar estar ouvindo Napalm Death, mas logo em seguida há trechos que mostram toda a singularidade do Ressonância Mórfica. Riffs rápidos dando lugar à quebradas de ritmo, bateria pulsante e o vocal de Marcão soando de forma cada vez mais doentia, no bom sentido.
 
A apresentação seguiu intensa, mesmo sendo em um local no qual o público fica sentado. Acredito que esse tenha sido o primeiro show de Metal Extremo no Esconderijo, mas de nem de longe se assemelhou a acústicos, ou a alguns daqueles enfadonhos shows de MPB. No lugar de moshs ou gente invadindo o palco, o público acompanhou a apresentação atento a cada detalhe. E certamente, saíram satisfeitos. Destaque para o clima de camaradagem que acompanhou a apresentação até o final.

Quase todas as músicas do debut “Agregados Onímodos Malditos” foram executadas. Desde “Cunnilingus”, passando pela genial “Quiprocó”, até à cultuada “O Deus Verme”. No entanto, o clímax se deu na reta final. Além de “Plutocracia” e canções do Brujeria, executadas com maestria, destaco o fantástico cover de “Wolverine Blues”, do grande Entombed, ícone do Death Metal sueco! Grata surpresa, excelente escolha!

Com mais de dez anos de história, o Ressonância está mais forte do que nunca. Certamente a turnê agregará ainda mais coisas bacanas à trajetória da banda. Ficamos na expectativa de que o novo álbum saia ainda em 2009. O Underground grita cataclismo!
    

por Guilherme Gonçalves
fotos por Fabrizio Silva

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