“Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim”
(“O Tempo”, Móveis Coloniais de Acaju)
A superpopulosa banda (de rock?) candanga chegou finalmente ao segundo disco. A espera, longa para os padrões atuais de lançamentos em sequência e overdose de canções recém-produzidas, é justificada por sua qualidade e inventividade. A ironia e a irreverência do disco de estréia, Idem (2006), foram ampliadas. A sonoridade está cada vez mais envolvente. Nada mais adequado para mostrar a novidade ao público que um show no Martim Cererê, o templo goianiense do rock independente. Aconteceu no último sábado (4/4). Fumaça ebulindo no inferno típico de um teatro do Martim lotado, com o público matando a sede de pular na companhia de André Gonzáles e trupe.
As músicas do disco C_mpl_te ainda não estão na ponta da língua, mas o show impulsionou a curiosidade de conferir os mais recentes versos esculachados e/ou filosóficos da banda. “O Tempo”, por exemplo, nasceu como símbolo maior da retomada ao estilo vibrante do Móveis. A galera recebeu a música como se fosse conhecida de outros rocks. A sintonia com o público, marca notável do grupo, fez o show fluir como encontro de velhos amigos, animados pelo compasso da batida neo-brasileira do principal expoente do rock de Brasília nos 2000.
Nada mais natural que se sentir em casa em Goiânia, afinal a cidade já cativou uma fiel matilha de gente sedenta de rock. É impressionante ver como o Martim Cererê vai enchendo, enchendo, e de repente se transforma num palco que fervilha de tribos e grupos, pessoas diferentes falando (ou cantando, ou gritando) a mesma língua. Móveis se encaixa perfeitamente nessa proposta. É uma banda capaz de balançar os mais românticos e animar uma rodinha de hardcore.
Enquanto o disco “físico” não chega às lojas, os fãs podem baixar gratuitamente a partir do site da banda (www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br) e aproveitar esse sopro de inovação (ou inovação de sopro) no rock nacional. Recomenda-se também ficar de olho nas próximas paradas da banda por aqui. Afinal, é melhor perder peso que perder show do Móveis.
Por: Túlio Moreira
Relacionado: “O Tempo” (disponível em www.myspace.com/moveis)
Ouça também: “Sem Final” (disponível em www.myspace.com/aguarraz)


