Goiania Rock City

Deceivers no GO Mosh: Espasmos de Um Passado Extremo.

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De dentro de um teatro cheio, mas ainda não lotado, o retumbar potente de um frenetismo tão exato quanto violento anunciava que a melhor banda da noite já tinha começado sua curta, porém poderosa, participação na edição 2009 do GO Mosh Festival.

O Deceivers freqüenta palcos goianos há mais de dez anos. A primeira vez que assisti ao quinteto foi logo após o lançamento de sua estréia, a demo-tape Redrum – de 1996, num show no DCE da universidade Federal, ao lado da Praça Universitária. Nessa mesma ocasião, depois do show, fui presenteado com uma cópia do dito K-7, que ainda hoje repousa empoeirado num arquivo anacrônico que empilha centenas de fitas, gradual e cuidadosamente gravadas com o essencial de quatro décadas de pop.

Abusei do meu velho tape-deck escutando as cinco músicas da fitinha, que apesar da tosquidão charmosa da gravação abafada é o único registro oficial de “Sentence of Fear” , que ao contrário das outras faixas, regravadas e relançadas no disco seguinte, nunca ganhou reedição.

Third Machine, o primeiro disco cheio, carregou na marra do discurso rap, disfarçando a ginga hip hop sob comportamento hardcore enquanto fazia concessões generosas ao metal, dobrando guitarras e acelerando as rimas, urros e beats à velocidade da luz.

Com Everbreathe, de 2005, o grupo atingiu uma maturidade artística inédita no horizonte do rock de estética extrema feito na região centro-oeste, e a potência da faixa título ou a cadência grosseira e sobrecarregada de “Bloodstain”, por exemplo, levaram o grupo a uma temporada em Los Angeles, onde passaram um semestre em cima de palcos e atrás de contatos.

No tablado do teatro Pyguá, na última sexta feira, apesar da performance prejudicada pela empolgação do vocalista Gregório Salles, que de tanto pular pelo palco acabou arremessando seu microfone na platéia e viu-se obrigado a usar os mics dos backing vocals, sofrendo para vociferar as letras das músicas por entre espasmos ofegantes de um cansaço suado e esbaforido.

Antes do Deceivers tive pouco tempo para reconhecer que o show do Sattva é inversamente proporcional à qualidade duvidosa de seu nome de batismo. A banda emula, cheia de razão, a faceta mais pesada dos clichês anos 90, com guitarras abundando em riffs tão simples quanto pontiagudos, que “rolam” pesadamente por entre uma batida nervosa, ansiosos por explodir em um refrão malvado e com cara de mau (pode não parecer, mas isso é um elogio)

Troquei o show do Ressonância Mórfica por uma latinha de Coca-Cola, um cigarro e um papo com o Segundo, e do show do Raimundos eu só posso falar da gritaria adolescente que me desanimou a gastar um minuto ou dois  assistindo à paródia pobre do show que um dia, em meados dos anos 90, eu fiz questão de ver. 

 

 

Hígor Coutinho

é editor do blog

Goiânia Rock News