| O mês que poderia ter entrado pra história do Metal/Punk goiano. | ||||
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Dr. Living Dead, Pesticide, W.C. Masculino, Veneno de Rato e Possuído Pelo Cão – 5 bandas e 1 noite que encerrou com chave-de-ouro um mês que poderia ter entrado pra história do Metal/Punk goiano. Beleza, pode ser que já tenha entrado. Mas julho de 2009 tinha tudo para ser ainda mais inesquecível. Tinha tudo para representar uma guinada de 180° na cena Metal/Punk goiana. Digo isso porque há exatos 20 dias, estava eu começando a escrever a resenha do Thelonius Monk – show do dia 5/07, que contou com BlackSkull, Warnoise, Sociofobia, Corja e LSD – e torcia muito pra que minhas expectativas se concretizassem. Quem tem uma mínima vivência do Underground na capital do estado de Goiás sabe que as coisas não andam lá muito boas. Se os anos de 2003, 2004, 2005 representaram uma época bastante interessante para quem gosta de Rock realmente pesado, tendo tido talvez (aliteração!) seu auge/pico no ano de 2006, de lá pra cá as coisas ficaram meio mornas. O fato é que além de ter ficado muito chateado com o atraso absurdo e injustificável de tal show, tava super enrolado com o fim de semestre na faculdade. A resenha não saiu, e até preferi. Lembro que um maluco a fez, ficou interessante e acabei deixando de lado. ... mesmo querendo muito ter comentado sobre porque via em julho um mês diferenciado , sobre os shows do Sociofobia e do BlackSkull....... e sobre o atraso! Pra piorar, a vitória da mediocridade na ocasião do show do Omen e Strike Master. Aquilo foi ridículo, boçal e muito, muito ingênuo. Baita descaso com quem já lançou álbuns clássicos como Battle Cry (1984), Warning Of Danger (1985) e The Curse (1986), e com uma promessa do Thrash Metal mexicano. Só que não é hora nem local pra falar disso, felizmente. O intuito de hoje é coisa boa! Thrashcore Fast IV, o mais arrojado deles! Pra quem acompanha esse festival desde sua primeira edição, é gratificante ver o quanto ele cresceu. Melhor que isso, é ver o quanto ele ainda pode crescer! A expectativa pela quarta edição foi absurda, a vontade que chegue logo o quinto capítulo dessa saga é maior ainda. O caminho é esse! Por volta das 18h do Sábado, dia 25/07, os primeiros lunáticos começavam a chegar ao CETE, antigo Casa das Artes. Por volta das 20h, muita gente já contava os minutos pra correr por abraço! A primeira banda do TxCxF IV foi o Veneno de Rato. Oriundos de “Facas Lindas”, um dos lugares mais perigosos do país, os muleques deram um belo pontapé inicial e abriram a pista de dança do evento. Ví esses caras pela primeira vez em janeiro/2007, no saudoso Morro do Capuava, em Anápolis, abrindo pros portugueses do Simbiose. De lá pra cá, incorporaram ainda mais energia e velocidade. O show está ainda mais bacana! O destaque não pode ser outro, senão o já hino do Hardcore água-lindense, “Bebendo com o Capeta”!
Sem muita pausa para o descanso, era vez do W.C. Masculino dar um tapa no ouvido dos mais desavizados. Nada de requinte, fineza ou qualquer tipo de melodia típica de uma leva de bandas “intituladas” Hardcore. Apenas riffs certeiros, bateria na velocidade certa e muita energia juvenil. O show mesclou canções do split junto ao Sociofobia, Blasfêmia e Terror, gravado em 2005, e do recém-lançado EP O Caos Continuará. Por falar nesse EP, que beleza de material! Muito bem planejado: arte bacana, letras no encarte e a opção de aquisição com bottom incluso. Tudo com aroma de pequí! Hardcore goiano de qualidade! Maravilha! Na sequência, duas bandas de Brasília. Primeiro, o Death Metal do Pesticide, com todas as boas referências do estilo. Sejam elas da Flórida, da Suécia, passando pelo Brasil e até mesmo pela Alemanha. Ou seja, muita coisa de Malevolent Creation, Massacre, Unleashed, Entombed, Dismember, Mutilator e Morgoth! Mesmo sem a presença do guitarrista Luiz Souza, que agora também faz parte do Slaver, o show foi impecável. Destaque para “Veterans of Death” e “Hellish Warfare”, da demo homônima Depois, o Possuído Pelo Cão, veterano da primeira edição do Thrashcore Fast, em 2006. Na ocasião, era a primeira vez que tocavam fora de Brasília. Formada por Túlio(DFC), Luca(Low Life), Barbosa(Terror revolucionário) Poney(Violator, Scumbag) e Tubarões, a banda já está bem mais madura e entrosada e o show é um convite irrecusável ao circle pit. A intro “A Marcha do Cão” te faz parecer querer empurrar tudo o que vê pela frente logo no primeiro riff, ainda mais porque a sensação é a de estar ouvindo Cryptic Slaughter. Sensação confirmada mais pro término do set, quando do cover de “Money Talks”, dos norte-americanos. O show contou com todas as músicas da demo Semen Churches, de 2006, e mais algumas do álbum Possessed to Circle Pit, como “Too Fast to Die”, “Mosh Jocks”, “Anarco-cops”, dentre outras. Apenas a brincadeira com os death-metallers de plantão que foi inoportuna. A posição da banda Headhunter D.C. é algo particular deles e não deve ser generalizada/extendida ao Death Metal. Afinal, generalizar é mania de crente, fanático religioso, ou coisa parecida. Creio que o P.P.C não seja isso. E convenhamos.... “In League with Satan” é linda! Não merecia deboche. No mais, talvez o melhor show da noite.
Para coroar um evento onde tudo deu certo, diretamente da Suécia, Dr. Living Dead. Quatro espinhentos que também cresceram ouvindo Entombed, Unleashed, Dismember, Nihilist, Carnage, Merciless, Vomitory, mas que ao contrário dos candangos do Pesticide, montaram uma banda de Crossover. Certamente influenciados também por Suicidal Tendencies, Anthrax, Vio-lence, Slayer e outras belezuras. A verdade é que os malucos fizeram um show muito bom, calcado nos seus dois álbums. Thrash After Death, de 2007 e Thrashing The Law, de 2008. Além de riffs estupendos e muita raça, os suecos mascarados contam com uma ótima presença de palco e um viés humorístico peculiar a banda. A cada música brotavam moshs por toda a parte, porém, dentre as melhores momentos de um show completamente insano, é impossível não falar das geniais “Kerry Burger King”, “I Need Thrash(Not You)” e “UFO Attack”! Certamente os doctors Ape, Toxic, Rad e “New Drummer” ficaram maravilhados em tocar por aqui e aprovaram o swing goiano! E pode botar aí na lista nórdica: Além de Força Macabra, Kuolema, e Civil Olydnad, a terra do pequi agora também já teve a honra de receber o Dr. Living Dead! Como não poderia deixar de ser, os méritos vão todos para as mentes malignas dos comparsas Pedro e Júlio, responsáveis por esse evento histórico e que seguem remando contra a maré, mesmo frente a tantas adversidades. Sempre com emprenho, e primando pela qualidade, acima de tudo. Que venha logo 2010 e o quinto ato do Thrashcore Fast! Quer uma sugestão ae? Farscape, pô!
por Guilherme Gonçalves
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| Última atualização ( Ter, 28 de Julho de 2009 20:08 ) |






