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O Encontro Entre ‘Blue’, Moby e Lynch
Escrito por hígor    Seg, 13 de Julho de 2009 12:48    PDF Imprimir E-mail
 

Riscos em vermelho, pedaços de preto, de branco e um fundo sempre azul. Às vezes, um pouco de amarelo, de verde, menos de rosa. Várias intersecções. Cores que se espalham para formar na tela imagens localizadas entre o abstrato e o figurativo, numa mistura de formas que são ao mesmo tempo estranhas e familiares. Dispostos como estão, sob um fundo branco, lado a lado, os quadros sugerem continuidade e acabam por realizar um grande painel, convenientemente intitulado Blue.

Tudo isso foi exposto em óleo sobre tela na quinta-feira passada, dia 9, na Galeria Potrich, e estava assinado por Gustavo Rizério. Exposição que prossegue até 10 de agosto.

Na noite do dia 9, cerca de 200 pessoas circulavam pelo confortável espaço da galeria de arte. Mas poucos realmente davam olhos ao que estava pendurado na parede. Nesses momentos as pessoas sempre chamam mais atenção. Em meio ao ruído, um definido e espontâneo “não gostei” surge para quebrar a monotonia.

 

Mas as imagens ali dependuradas não eram de difícil digestão. O trabalho é moderno e mescla elementos de correntes tradicionais da pintura goiana, especialmente do expressionismo, com aspectos da cultura pop contemporânea. Produção sob medida para ocupar o local.

Para os olhos castanhos e curiosos, pelos quais inevitavelmente vejo, a obra tem ainda o sabor suave de vestígio fotográfico, perceptível apesar das alterações promovidas pelas pinceladas de tinta. Nada fora do comum para uma quinta-feira início de férias e nada além do que o folder de divulgação do evento prometeu. Gostoso, até.

Depois da badalação, em casa, no silêncio da madrugada as imagens ainda frescas se misturam ao som de trabalho: Moby, Wait for me. O americano, cuja obra já foi definida como versátil, cativante e climática, me parece propício como trilha para o filme que ainda está sendo exibido na minha cabeça.

Vigésima música do disco, “Shot in The Back of The Head” faz lembrar David Lynch. Não somente porque é dele o videoclip da música, mas também pela própria textura surreal que esse trip hop evoca. Clima que reforça os riscos, os pedaços, o preto e branco e o fundo azul presentes hoje e sempre na consciência.  

 

 Por: Carolina Rofre  

 

 

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Última atualização ( Seg, 13 de Julho de 2009 13:29 )