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Festival Dissonante! Pé em Deus e Fé na Tábua!
Escrito por hígor    Seg, 06 de Julho de 2009 14:53    PDF Imprimir E-mail

 

 

Esta época do ano é considerada por muitos como uma data festiva da fé. Estou me referindo à festa do Divino Pai Eterno, da cidade de Trindade. È muito bonito participar ouvir histórias dos fiéis, que deixam o conforto de suas residências para pagar suas promessas. Vi com minhas próprias pernas uma pequena prova do que aconteceu na rodovia dos romeiros na última noite de sexta. Fiz o percurso entre Goiânia e Trindade andando pelo caminho que é ilustrado por trabalhos do artista plástico renegado Omar Souto. Acho que o fato dele ter sido “banido” da sociedade fez com que a maioria dos seus painéis, antes exaltados como obras de arte, ficassem no escuro ou, no caso, iluminado somente pela luz da lua, já que a iluminação publica não faz mais parte do contexto.

Coincidentemente, neste mesmo momento estava acontecendo no Martim Cererê o Festival Dissonante, que foi realizado por uma nova leva de produtores, que tem feito o que vou chamar de “nova cena”. As bandas que iriam tocar eram daqui, do DF, Mato Grosso e Pernambuco. Destaque para as quatro últimas, que, sendo sincero, foram as que eu consegui assistir. Como eu estava cumprindo minha via-crúcis particular, não pude chegar antes da meia-noite.

Foi uma surpresa ver a enorme multidão de fiéis na Igreja do Divino. Tantas pessoas determinadas a pagar suas promessas, assistindo a missa e pedindo perdão para os santos protetores. Mesmo com o descaso para com os Romeiros (condições precárias de segurança, iluminação e infra-estrutura em geral), eles estão lá, firmes e cheios de fé. Da mesma forma é bom ver que os problemas para poder locar o Centro Cultural, não fizeram com que os que os produtores do Festival Dissonante tivessem medo e desistissem de fazer uma bela noite de rock na sexta-feira.

O Festival foi muito bom, mas só consegui assistir o Johnny Suxxx and The Fucking Boys, o Johnny Hooker & Candeias Rock City, o MQN e o Black Drawing Chalk.

Johnny Suxxx and The Fucking Boys, banda do Sexy Pop Star e sócio da Fósforo Cultural João Lucas, fez um show dos mais vigorosos. Talvez para impressionar as novas backing vocals, que seguem o velho e bom estilo Hang the Supesrtars.

O  Johnny Hooker & Candeias Rock City, no começo, me causou certa estranheza. Não estou acostumado com caras se pegando no palco, e era essa a impressão que eu tive nas primeiras músicas.

Não era o que acontecia na cidade de Trindade, onde os caras se divertiam testando, com as meninas que passavam, abordagens típicas de micareta. E aqui em Goiânia os caras se esfregando com intimidade lá em cima do palco. Fechei a cara e cruzei os braços por alguns minutos. Tempo suficiente para entender que a banda não é só putaria. Por trás da pegação gay, eles revelaram alguma coisa visceral fluindo nas veias.

 


 

Isso me despertou a atenção e desvendou a onda dos carinhas do Recife. Show bacana. Na última música o vocalista Johnny Hooker, que trocou de blusa durante a apresentação (o que foi no mínimo inusitado), convidou o público para subir no palco e, enquanto cantavam e dançavam, atacaram os músicos, que ofereceram até a guitarra ao público.

O Martim é a casa do MqN, e onde eles se sentem à vontade, não tem erro. E o Black Drawing Chalks, como tem se tornado uma constante, fez mais um show chocho, fraco. Talvez seja a sequência de apresentações. Deve ser muito cansativo mesmo. Vai saber!

Eu também estava cansado depois da minha caminhada pela fé, até Trindade. Mas a despeito do cansaço de três horas e meia caminhando, não desanimei e fui conferir o festival. É a fé no rock!

Alessandro Soares

Goiânia Rock City.com

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Última atualização ( Seg, 06 de Julho de 2009 15:44 )