| Bananada 2009: não se pode ganhar todas! | ||||
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Neste final de semana centenas de pessoas ocuparam as dependências do Centro Cultural Martim Cererê para uma penosa maratona de shows que, começando ao anoitecer de sexta feira, se prolongou até o início da madrugada de segunda, alternando, de meia em meia hora, alguns dos grupos mais entediantes da música independente nacional, iluminados de longe por algumas poucas boas surpresas e uns poucos santos-de-casa.
Mas se nem o experimentalismo krautwave da única atração internacional do festival, O ex-Can Damo Suzuki, serviu de alento numa noite que perdeu tempo com a algazarra maçante e pretensiosa do Technicolor, aplaudiu o minimalismo estéril e ingênuo do Multiplex e reservou seu horário nobre para um Black Drawing Chalks pouco inspirado, o MqN salvou o line-up da chatice soberana com aquele mesmo show alcoolizado, arrogante e provocativo de sempre. Rotina de guitarras que, em meio à profusão acelerada de rock inofensivo, soou como tábua de salvação do line-up de sábado.
Os domingos carregam, tradicionalmente, uma espécie de depressão pós-coito, que embaça as cores do dia com os matizes acinzentados da segunda-feira que acena, logo ali. Nesse cenário desolador para a maioria que levanta cedo e move a engrenagem do mundo, menos gente se dispôs a sair de casa e enfrentar o desfecho de uma festa que não empolgou. O Mugo foi o destaque óbvio: talvez seja a banda mais jovem que já enfrentou a posição de headliner do festival (com exceção da formação mutante conhecida como Banda da Eline, que é tão jovem quanto permite suas recentes aparições esporádicas), enfrenta um ótimo momento em sua curta carreira de shows sempre lotados e está prestes a estrear em disco e vídeo-clipe. ![]() O Bananada se pretende a vitrine do rock goiano que quer atravessar as fronteiras do Estado, e se essa travessia tem acontecido com a freqüência que a cena da cidade merece é por que Goiânia se transformou no núcleo charmoso do novo rock brasileiro, e a idéia do festival é que as atrações convidadas coadjuvem alegremente com a produção local. Mas em 2009 alguma coisa saiu errada, e os artistas que vieram nos visitar não conseguiram deixar nenhuma marca significativa por aqui, como, pra citar apenas alguns exemplos, o Curumin e o Cérebro Eletrônico na edição do ano passado, ou o Monno e o Galinha preta em 2007. Mas apesar de uma programação tão raquítica, o Bananada ainda goza de um crédito confortável, alcançado depois de antecipar, em palcos goianos, alguns dos melhores shows do pop brasileiro recente. Por isso mesmo é que o grande mérito do festival está na coragem de correr riscos. Mas, infelizmente, não se pode ganhar todas.
Hígor Coutinho é editor do blog Comments (0) |
| Última atualização ( Ter, 26 de Maio de 2009 20:05 ) |








