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Bananada 2009: não se pode ganhar todas!
Escrito por hígor    Ter, 26 de Maio de 2009 17:12    PDF Imprimir E-mail

Neste final de semana centenas de pessoas ocuparam as dependências do Centro Cultural Martim Cererê para uma penosa maratona de shows que, começando ao anoitecer de sexta feira, se prolongou até o início da madrugada de segunda, alternando, de meia em meia hora, alguns dos grupos mais entediantes da música independente nacional, iluminados de longe por algumas poucas boas surpresas e uns poucos santos-de-casa.

A escalação do Bananada 2009 foi, de longe, a mais anêmica de suas últimas edições, mas se a promessa de novidade vale o risco de tantos shows medíocres, o “equívoco” não pode ser apontado: é resultado de uma aposta que, assim como foi desastrosa, poderia ter revelado boas novas, como aconteceu em tantas edições passadas. Infelizmente não foi o caso desta.

Mas se nem o experimentalismo krautwave da única atração internacional do festival, O ex-Can Damo Suzuki, serviu de alento numa noite que perdeu tempo com a algazarra maçante e pretensiosa do Technicolor, aplaudiu o minimalismo estéril e ingênuo do Multiplex e reservou seu horário nobre para um Black Drawing Chalks pouco inspirado, o MqN salvou o line-up da chatice soberana com aquele mesmo show alcoolizado, arrogante e provocativo de sempre. Rotina de guitarras que, em meio à profusão acelerada de rock inofensivo, soou como tábua de salvação do line-up de sábado.

No começo da noite de sexta feira o Shakemakers empilhou, mais uma vez, TODOS os clichês do classic-rock, embutindo neles um orgulhoso sotaque “caipira”. Porém, a despeito desta parecer uma combinação duvidosa, no palco a coisa funcionou a ponto de convencer a pequena multidão a entoar em coro o refrão cafajeste de “Rock n’ Roll é Bom Pra Mim”, pouco antes de Beto Cupertino  desvendar toda a sonolência, romântica e melódica, de seu projeto entre-safra, batizado de Perito Moreno.

Ainda na sexta, o que quase me animou os sentidos foi a dobradinha involuntária de Filomedusa e Rubinho Jacobina. Apesar do aparente nervosismo da vocalista Carol Freitas, a banda acreana Filomedusa fez a melhor apresentação da noite, toda baseada no feeling suado do guitarrista Saulinho que, embaralhando referências nacionais e importadas, brilhou num mar de monotonia. Na sequência, a despretensão pop do carioca Rubinho Jacobina coloriu a arena de verde-amarelo e transformou o teatro Yguá em baile de carnaval, dispensando por instantes a superabundância de distorção café-com-leite.

Os domingos carregam, tradicionalmente, uma espécie de depressão pós-coito, que embaça as cores do dia com os matizes acinzentados da segunda-feira que acena, logo ali. Nesse cenário desolador para a maioria que levanta cedo e move a engrenagem do mundo, menos gente se dispôs a sair de casa e enfrentar o desfecho de uma festa que não empolgou. O Mugo foi o destaque óbvio: talvez seja a banda mais jovem que já enfrentou a posição de headliner do festival (com exceção da formação mutante conhecida como Banda da Eline, que é tão jovem quanto permite suas recentes aparições esporádicas), enfrenta um ótimo momento em sua curta carreira de shows sempre lotados e está prestes a estrear em disco e vídeo-clipe.

O Bananada se pretende a vitrine do rock goiano que quer atravessar as fronteiras do Estado, e se essa travessia tem acontecido com a freqüência que a cena da cidade merece é por que Goiânia se transformou no núcleo charmoso do novo rock brasileiro, e a idéia do festival é que as atrações convidadas coadjuvem alegremente com a produção local. Mas em 2009 alguma coisa saiu errada, e os artistas que vieram nos visitar não conseguiram deixar nenhuma marca significativa por aqui, como, pra citar apenas alguns exemplos, o Curumin e o Cérebro Eletrônico na edição do ano passado, ou o Monno e o Galinha preta em 2007. Mas apesar de uma programação tão raquítica, o Bananada ainda goza de um crédito confortável, alcançado depois de antecipar, em palcos goianos, alguns dos melhores shows do pop brasileiro recente. Por isso mesmo é que o grande mérito do festival está na coragem de correr riscos. Mas, infelizmente, não se pode ganhar todas. 

 

Hígor Coutinho

é editor do blog

Goiânia Rock News

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Última atualização ( Ter, 26 de Maio de 2009 20:05 )