
Papo de boteco para quebrar o gelo? Ok... Vamos lá então...
Por: Nath Albuquerque
Correndo o risco de ser escorraçada por amigas mais radicais, que acreditam piamente que heroínas de HQ são um desserviço para a imagem da mulher de verdade, digo: apenas algumas são assim... O fato é que apesar de existirem as tais citadas aí, somos constantemente homenageadas pelos moços dos quadrinhos (calma, calma, que depois falamos das meninas que fazem HQ, calma).
Quem não lembra de Jean Grey na saga da Fênix? Que merda, a moça morre assim que fica megapoderosa... (tá bom, ela volta depois, já que ela é uma... Fênix) Mas aí, vem o Grant Morrison, no New X-Men, resgata o poder da bicha e monta uma Jean Grey madura, que aceita o poder da Fênix e ainda solta um: “Sou phoddona sim, vai encarar?” A pobre salva a pele de todo mundo e ainda precisa enfrentar um casamento em crise... O que nos leva a outra poderosa... Emma Frost (quem leu sabe do que estou falando. Menina, você não leu, rolou o maior barraco, corre, vai ler!)
Emma Frost, soooooo bitch! MARAVILHOSA! Ainda acho aquelas botas brancas, só para ter um par igual! Grant Morrison, ele de novo, conseguiu passar nuances de personalidade, ela é bitch, é fidaputa mesmo, mas está apaixonada e fragilizada. Não confunda, não é nada daquela balela “mulher power para ficar boazinha precisa de um homem senão não se garante”, mas sim “mulher de verdade algumas vezes se apaixona por pessoas e, que pena, algumas a farão sofrer um pouco”. A situação e a personagem não são “preto e branco”, são cinza... Entendeu? Well, acho que nem eu...
Voltando na linha mulheres que querem ver Emma Morta, a minha preferida: Kitty Pride! Retrato da maioria das adolescentes, porque nem venham com essa que na adolescência todos são lindos! Mentira! A maioria é desajeitada mesmo, e Kitty Pride era fofíssima, desajeitada, inteligente, fazia a melhor ponte com o/a leitor/a. E, esperta, era amiguinha do Wolverine muito antes dele virar o Hugh Jackman! Li há pouco tempo o Astonishing X-Men do Joss Whedon, e até agora o cara conseguiu! Kitty Pride virou mulher, e uma mulher das que a gente curte ser, de verdade. (ok... sou fã babona, admito, mas damn you Jubilee! Você nunca alcançará o patamar Kitty Pride, sua mutante boba!).
E tem Ororo Munroe... A mulher é uma deusa que virou punk por uns tempos... preciso falar mais?
Ainda no mainstream (mas nem tanto), embora o tema seja “moças que adoramos ser”, espero que ninguém se identifique com uma das melhores homenagens feitas para nós. Vou citar por isso porque é uma da melhores homenagens, e uma das maiores demonstrações de respeito por mulheres que já vi em um autor de HQs. Mas espero mesmo que ninguém se identifique, porque seria muito triste! É a Phoebe de “The Curse”, criada por Alan Moore no Monstro do Pântano, nº 40. Nem vou dar o resuminho. Lê. E quando acabar pode encher o olho de lágrima e chorar baixinho... porque tem muita mulher ainda naquela situação.
Alternativas, parada obrigatória: Los Bros Hernandez. É fato: você é ou vai ser uma das Locas de Jaime. Elas envelhecem, amadurecem, engordam, emagrecem, se acabam na balada, acordam cedo para trabalhar, ficam duras. Aí você fala, ah, mas não são super heroínas... Não, mas Maggie já foi e estamos falando de heroínas, não apenas de supers! Por causa de Maggie, Hoppita, Penny, Izzy e Terry, descobri que posso gostar de fivelinha cor de rosa e ainda ser mulher forte e independente.
Gilbert, o outro irmão, faz literatura em forma de quadrinhos. Parece que você está lendo Jorge Amado ou João Ubaldo Ribeiro com imagens (ah, você é uma daquelas pessoas tontas que acham que literatura é chato? Acorda, hein!). Well, ele criou Palomar e lá a mulherada é de verdade. Mulherada que não tem tempo de ter síndrome do pânico mesmo que esteja tão na moda. Mulherada que resolve e se resolve na cama, no tanque, que precisa alimentar a família e que manda em seu homem ou em sua mulher. Quando nos sentimos mais sábias, é com essas mulheres que nos identificamos, e quando acordamos tontas, confusas com as merdas que deixamos enfiar nas nossas cabeças, lemos uma página qualquer dos contos de Palomar, e pimba! Que vergonha ter ficado encanada, quando tudo é tão mais simples... Zen na marra!
E tem Neil Gaiman...
Ah, toda garota já acordou como uma – ou mais – das mulheres dos reinos de Gaiman...


