Goiania Rock City

Não Gosto de Escrever Sobre os Beatles!

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Simplesmente porque tudo de relevante que precisava ser escrito sobre o mais importante ícone da cultura pop do século XX já está publicado. Existe uma bibliografia tão extensa e completa sobre os Beatles, com tantos enfoques, abordagens e sistematizações biográficas diferentes, que escrever sobre a banda é o mesmo que chover no molhado. Apesar de sempre ter colocado os Beatles com um destaque muito grande em minha formação cultural, de ter os discos preferidos (em vinil, ok?), de ter uma música dos Beatles para cada momento importante da minha vida, depois deste texto, provavelmente você não me verá escrever novamente alguma coisa sobre o Fab Four tão cedo.

 

Não gosto de escrever sobre os Beatles principalmente porque tenho medo de parecer replay. E para escrever sobre os Beatles, é preciso conhecer muita coisa sobre a banda, e eu ainda não conheço nem perto disso. Já escrevi em algum blog do passado que “os Beatles inventaram os anos 60 e sintetizaram o que realmente importava e sobreviveu na cultura pop”. Ainda acredito nisso, mas tenho que estudar mais para conseguir explicar de onde tirei essa idéia.

 

Entre os milhares de livros publicados sobre a banda de Liverpool, destaco Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band – Um ano na vida dos Beatles e amigos, de Clinton Heylin (que saiu no Brasil pela Conrad Editora). Ganhei o livro de presente do jornalista Sérgio Martins (da revista Veja), quando ele veio a Goiânia participar de um ciclo de debates do Goiânia Noise Festival. O livro é fantástico. Mostra como a “disputa” é um conceito presente o tempo todo na trajetória dos Beatles. Disputa interna, com Lennon e McCartney competindo pela melhor canção (e deixando Harrison pra escanteio, o que é uma pena, já que ele escrevera algumas das músicas mais memoráveis da banda), e disputa externa, com nomes que iam ganhando espaço na música internacional, como Bob Dylan e os Beach Boys.

 

Para o rock, definitivamente, disputa é uma coisa super saudável. Lennon fez “Strawberry Fields Forever” e McCartney respondeu com “Penny Lane”. Precisa dizer mais? Isso sem mencionar que o gênio à frente dos Beach Boys, Brian Wilson, incorporou de vez o espírito de competidor e criou clássicos inesquecíveis (alguns abortados) diante de sua preocupação insana em ser o melhor de todos. 

 

Meu próximo passo é adquirir a bíblia sobre os Beatles escrita por Bob Spitz. Será um passo corajoso, porque depois que se mergulha de cabeça na vida dos quatro gênios ingleses, é muito difícil sair, mais ou menos como perder o vício por cocaína ou coisa do tipo. Provavelmente, se eu voltar a escrever algo sobre os Beatles, será com a certeza de que realmente valerá a pena gastar mais tinta e papel falando de alguma coisa nova sobre o legado [imortal] deles. Ou então com o intuito de preservar a influência e a memória dos maiores artistas que pisaram por este planeta, o que é uma tarefa de todos os seguidores da banda.

por Túlio Moreira Rocha